statement

Trained as an architect, I approach my art practice with an understanding of space as both a tangible entity and a metaphorical idea. This sensibility is further shaped by my experience as an immigrant, where movement between places—and the disruption and hope it carries—becomes a condition of being, a continual search for ground that holds.

I am drawn to in-between spaces—bridges, train stations, airports, parking garages, hotel lobbies, urban parks—as sites of emotional and spatial suspension. Here, time softens and stretches and identity feels momentarily unmoored. These liminal environments carry the shared undercurrent of transition -- uncertainty, anticipation, estrangement -- and a quiet tension between leaving and becoming, between passage and pause.

I hold these questions: when does transition become place rather than passage? Can it contain both repair and rupture? How does it shape memory and identity?

Working across painting, drawing and mixed media, I often use hand stitching as a form of slow mark-making — tracing, connecting, inscribing — and as a gesture of restoration and continuity. Layered patterns and fragmented shapes resist fixed order, evoking memory, time and the overlap of lived experience and imagined realms. A luminous palette, threaded with references to the natural world, draws on my Portuguese heritage while affirming the beauty, resilience and interdependence of life.

Ultimately, my work is an ongoing effort to chart the interior geography of movement, memory, and renewal, inviting reflection on how we mend, carry, and reconfigure our sense of belonging and attachment within a mutable world.

declaração

Formada em arquitetura, abordo a minha prática artística com uma compreensão de espaço como entidade tangível e ideia metafórica. Esta sensibilidade é moldada pela minha experiência de imigrante, em que o movimento entre lugares — e a rutura que acarreta — torna-se uma condição de existência, uma busca contínua por um solo que sustente.

Sinto-me atraída por espaços intermediários — pontes, estações de comboio, aeroportos, parques de estacionamento, átrios de hotéis, parques urbanos — como locais de suspensão emocional e espacial. Aqui, o tempo suaviza-se e alonga-se, e a identidade parece momentaneamente desgarrada. Estes ambientes liminares carregam as mesmas correntes subterrâneas dos períodos de transição — incerteza, antecipação, estranhamento — e a tensão silenciosa entre o partir e o tornar-se, entre a passagem e a pausa.

Pondero estas questões:  quando é que a transição torna-se lugar em vez de passagem?  Pode ela conter tanto a reparação quanto a rutura?  De que modo molda a memória e a identidade? 

Trabalhando entre pintura, desenho e técnicas mixtas, utilizo frequentemente a costura como forma de marcação lenta — traçando, ligando, inscrevendo — e como gesto de reparação e continuidade. Padrões sobrepostos e formas fragmentadas são resistência à ordem, evocando a memória, o tempo e a sobreposição entre a experiência vivida e os domínios imaginados. Uma paleta luminosa, entrelaçada com referências ao mundo natural, inspira-se na minha herança portuguesa, ao mesmo tempo que afirma a beleza, a resiliência e a interdependência da comunidade da vida.

Em última instância, o meu trabalho é um esforço contínuo para cartografar a geografia interior do movimento, da memória e da reparação, convidando à reflexão sobre a forma como remendamos, transportamos e reconfiguramos o nosso sentido de pertença e de ligação num mundo mutável.