statement

My art practice examines the emotional dimensions of displacement, transitionality and unstable belonging through the exploration of architectures of passage and power. Trained as an architect, I have an acute understanding of space as both a tangible entity and a metaphorical idea, this sensibility being further shaped by my experience as an immigrant where movement between places—and the disruption and hope it carries—becomes a condition of being, a continual search for ground that holds.

Working across painting, drawing, textiles and mixed media, I use hand stitching as a form of slow mark-making — tracing, connecting, inscribing — and as a gesture of restoration and continuity. Layered patterns and fragmented shapes resist fixed order, evoking memory, time and the overlap of lived experience and imagined realms. A luminous palette, threaded with references to the natural world, contains traces of my Portuguese heritage while affirming a belief in the resilience and interdependence of life. I thus dismantle the rigidity associated with the built form, transforming architecture into something deeply human: wounded, shifting, permeable, and alive.

Ultimately, the work asks what it means to exist in a world defined by movement and instability — between countries, rules of being, languages, histories, intentions, relationships, political beliefs, and versions of ourselves, inviting reflection on how we mend, carry, and reconfigure our sense of belonging and attachment within a mutable world.

declaração

A minha prática artística examina as dimensões emocionais do deslocamento, da transicionalidade e do pertencimento instável, por meio da exploração de arquiteturas de passagem e de poder. Com formação em arquitetura, possuo uma compreensão aguçada do espaço, concebendo-o tanto como entidade tangível quanto ideia metafórica; essa sensibilidade é moldada pela minha experiência como imigrante, na qual o movimento entre lugares — com a ruptura e a esperança que ele carrega — converte-se numa condição de ser, uma busca contínua de solo firme.

Através da pintura, do desenho, dos têxteis e da técnicas mista, utilizo a costura manual como uma forma de criação de marcas em ritmo lento — traçando, conectando, inscrevendo — e como um gesto de restauração e continuidade. Camadas e formas fragmentadas resistem definição, evocando a memória, o tempo e a sobreposição entre a experiência vivida e a imaginação. Uma paleta luminosa, entrelaçada com referências ao mundo natural, contem traços da minha herança portuguesa, ao mesmo tempo que afirma a um crença na resiliência e interdependência da vida. Desmonto, assim, a rigidez associada com a forma construída, transformando a arquitetura em algo profundamente humano: ferido, mutável, permeável e vivo.

Em última análise, a obra questiona o que significa existir num mundo definido pelo movimento e pela instabilidade — entre países, regras de existência, idiomas, histórias, intenções, relacionamentos, crenças políticas e versões de nós mesmos —, convidando à reflexão sobre como reparamos, carregamos e reconfiguramos o nosso sentido de pertencimento e apego dentro de um mundo em constante transformação.